Olhares

03 junho 2007

O Ciúme II




Continuo a debater-me com esta necessidade de escalpelizar a minha inabilidade para entender o ciúme!

Na vida, como nas relações, sempre me entreguei por completo.

Não consigo, nem nunca consegui, conceber a amizade ou o amor como integrando algum sentimento de posse, e sempre achei que só poderia ser feliz ao lado de alguém que quisesse, realmente, estar comigo.

Nunca me anulei ou me moldei às relações, sempre fui honesta e a minha entrega sempre foi sincera e sentida. A máxima de que quem me quer, quer-me como eu sou e não como uma imagem inventada e falsa, sempre me regeu durante a vida.

Sou teimosa e de personalidade forte, mas também não sou inflexível. Sei bem, e sempre o assumi, que uma relação é feita de cedências parte a parte e da criação de um espaço em comum. Espaço esse que só se cria com partilha e com dádiva. Porque o amor não se possui, dá-se!

Vi, muitas vezes, amigas sofrerem com ciúmes e sempre as questionei como conseguiam estar com alguém em quem não confiavam. Nunca consegui imaginar-me a envolver-me emocionalmente com uma pessoa em quem eu não depositasse a minha confiança.

Só uma vez senti na pele o efeito do ciúme do outro, no início de uma relação, e rapidamente pus “as coisas em pratos limpos”. – No dia que te fizer uma cena de ciúmes ou que te der motivos reais para os teres, estás autorizando a ter ciúmes de mim, até lá, ou confias ou não vale a pena ir mais longe!

Rápida e suavemente o sentimento de confiança mútua foi-se instalando e a relação durou praticamente 14 anos… depois os laços quebraram-se, mas isso são outras histórias…

E pronto, já me perco, outra vez, sem conseguir analisar o que me leva a não conseguir entender este sentimento!

Será que amo menos que quem tem ciúme?
Será que sou mais fria?

Mas como? Se quando me dou, dou-me por inteiro e sem reservas?

Questiono-me interiormente se não terei medo de perder o outro.
Tenho, sim!

Mas, uma vez mais, o meu lado racional vem ao de cima.
Para quê manter junto de mim alguém que não quer estar ali, alguém que já se projecta fora daquela relação?
Antes sofrer com a perda e seguir em frente!

Então de que me serviria esse sentimento?
De que me serviria viver angustiada com cada passo, com cada olhar, com cada pensamento… ver em cada passo em falso uma intenção?
Não será essa a sensação que vivenciam as pessoas que sentem ciúme?
Viver na dúvida sobre a honestidade do que lhes é dito, imaginar que o outro não lhe abre a alma, que tem uma vida dupla, ou que gostaria de a ter?

Duvidar do amor?
Valerá a pena viver esse sentimento, esse estado de espírito.



Como uma lágrima!
posted by Teardrops at 15:45

16 Comments:

Não miúda, não entres nessa. A vida é curta demais, portanto é para se viver na boa e não em angústias.

*****

03 junho, 2007  

For You

Também acho, mas continuo a não conseguir entender o que sente quem tem ciúmes, o que os leva áquele sentimento...

Um beijo

03 junho, 2007  

Ai, ai, ai, ai, ai....
Isto vai animar aqui, não vai?
É que não acho nada boa ideia ficarmos pelas lágrimas e ranhetas.

E para mais, nunca vi uma gata preta chorar.

Mil beijokitas

03 junho, 2007  

Era para não comentar...
O que acho? Que ciúme revela, acima de tudo, insegurança. Insegurança de quê? Do que se julga nosso, nossa propriedade. Resultante de absurdo sentimento de posse? Talvez...

Beijinho

03 junho, 2007  

Quando a entrega (a nossa) é feita integralmente, sem reservas de corpo e alma, confiamos. Não nos passa pela cabeça que "do outro lado" a coisa não seja assim. E quando nos confrontamos com a realidade, então aí doi. Porque nós medimos os outros por nós mesmos...

Não te quero assim, vai ver as minhas botas!!!! vá!

Beijos GRANDES

03 junho, 2007  

Cá estou e estarei...;)
Beijo

04 junho, 2007  

Puseste-me a pensar... *

04 junho, 2007  

Deixo te apenas um beijinho, passarei com mais tempo para ler...

05 junho, 2007  

Deixo o mestre David responder-te:

« A tua morte, que me importa,
Se o meu desejo não morreu?
Sonho contigo, virgem morta
e assim consigo (mas que importa?)
possuir em sonho quem morreu.

Sonho contigo em sobressalto,
não vás fugir-me, como outrora.
E em cada encontro a que não falto
inda me turbo e sobressalto
à tua mínima demora.

Onde estiveste? Onde? Com quem?
- Acordo, lívido, em furor.
Súbito, sei: com mais ninguém,
ó meu amor!, com mais ninguém
repartirás o teu amor.

E se adormeço novamente
Vou, tão feliz, sem azedume,
- agradecer-te, suavemente,
a tua morte que consente
tranquilidade ao meu ciúme. »

E deixo-te um beijo meu.

05 junho, 2007  

Likas

Este espaço será sempre um pouco mais sério que o outro... sei lá!

Mas o outro não fechou... está só em balanço...

Um beijo muito especial

05 junho, 2007  

Lb

Não será alguma insegurança de nós próprios, à mistura...

Obrigada por teres comentado!

Um beijinho

05 junho, 2007  

Bonnie

Aqui é mais do género, quando não se sente ciúme, é difícil entender o que leva os outros a sentir...

Um beijo, linda

05 junho, 2007  

Francisco

Obrigada, deixa-te estar enquanto te souber bem... :-)

Um beijo

05 junho, 2007  

Catarina

Pensar é bom...!
Eu gosto que me façam pensar!

Um beijo

05 junho, 2007  

Just me

Volta quando quiseres e puderes :-))

Um beijinho, linda!

05 junho, 2007  

Fallen!

Que mórbido o poeta estava... trágico mesmo, diria... mas para alguns esse é a única forma, e já temos testemunhado casos...

Porque aqui abre-se uma alma nova... mais sombria, mais pensativa... mas a outra voltará!

Um beijo, angel, só um

05 junho, 2007  

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